Final feliz!
Um dia para guardar no coração
Depois de vencer a Covid-19, a jovem Helena Damasceno, 25, finalmente, recebe o filho nos braços; uma espera que durou exatos 40 dias
Carlos Queiroz -
O aconchego mãe e filho levou 40 dias para acontecer. E entrará para história. Era exatamente 16h10min quando a jovem Helena Damasceno, 25, recebeu o filho João Pedro nos braços - pela primeira vez. "Felicidade". Era a síntese, expressa em uma única palavra, ao ser recebida por familiares, amigos e vizinhos após vencer a Covid-19 e deixar para trás uma internação com 22 dias de intubação e os piores prognósticos.
A tarde desta terça-feira (13), portanto, foi de vitória. De festa, literalmente. Balões brancos enfeitaram diferentes casas na rua Carlos de Carvalho, no bairro Fragata. Na frente do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), o clima, claro, também era de ansiedade. De alívio. Em camisetas brancas, uma frase que Helena costuma repetir: Sonhe alto porque seu Deus é grande. E agora a fé da integrante do grupo jovem da Igreja Quadrangular sai ainda mais fortalecida.
Ao longo da hospitalização, espalharam-se as correntes de oração. "Foi um período doloroso, de medo, que eu não desejo a nenhuma mãe", destacou Sônia Damasceno. "Por isso, o meu coração tá a mil. É uma emoção muito grande. Uma benção", afirmou, enquanto aguardava pela alta. Pelo abraço que estava guardado. Há 40 dias.
Esperança e entusiasmo coletivos
Levantar o braço ao alto era muito mais do que um gesto de conquista pessoal. Quando um paciente em estado grave se recupera e volta para casa para poder dar continuidade aos projetos e sonhos, uma equipe inteira festeja. Não apenas da ala que os acolhe. A alegria cruza setores e reverbera em diferentes instituições de saúde. Foi o que ocorreu nesta terça-feira, 13 de abril.
Profissionais espiavam em corredores e janelas. Alguns foram para calçada para também acompanhar a saída de Helena Damasceno, recebida com rosas vermelhas oferecidas pelo marido Patrick. Palmas, vídeos, fotos. E lágrimas. Uma tarde de céu azul para eternizar na memória.
De sonho à realidade
Os abraços ao pequeno João Pedro eram apenas virtuais. Quando o gurizão de 3,850 quilos e 48 centímetros nasceu, às 21h02min, da quinta-feira, 4 de março, Helena não teve a chance de acarinhá-lo. Permanecer longe da mãe, naquele momento, era preservar a saúde do pequeno. E João Pedro não contraiu o coronavírus. No dia seguinte, a jovem já foi transferida para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), de onde saiu apenas em 6 de abril.
Aconchegá-lo ao peito nesta terça-feira, portanto, era como um renascimento. Para ambos. A família pensou nos mínimos detalhes. Além do ambiente montado na frente da casa, com mesa decorada e poltrona, João Pedro estava devidamente pilchado. E logo tomará conhecimento de como seus primeiros dias de vida foram cercados de luta e de superação. Em uma pandemia que espalha sofrimento, sim, mas também traz outros significados a sorrisos e abraços. Em histórias coroadas com final feliz.
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